SILÊNCIO
Uma vez um amigo me falou em "silêncio intelectual", pode parecer um pouco pedante, mas penso que quando há muitas informações que acarretem em mudanças estruturais, acontece um momento de hesitação psicológica.
Uma certa "abobação" e "bitolação" trava meu intelecto no momento, passam por minhas cabeça: viagens, beatnicks, hippies, contra-cultura, drogas, poligamia, "paz e amor", Karl Marx, Durkhem, Freud, Jung, Bukowski, Kerouac, Mutantes, Janes, Ratos de Porão, e mais alguns que não me vem a memória no momento.
Apenas um momento...
BRUNO
Escrito por Redação às 21h28
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Falar é prata, calar é ouro...
Estive pensando nesses dias em que estava em férias da faculdade no quanto é interessante e polêmico não ter opinião, ou mudá-la sempre.
Somos cobrados de opiniões, valores, religião á todo o momento pela sociedade, mas como na música do Lenine " Quando o tempo acelera e pede pressa eu me recuso faço hora vou na valsa"
Me sinto tentado a provocar, a dizer que não tenho opinião, que a Filosofia não serve pra nada, como disse uma vez um amigo: A Filosofia só serve para pagar o meu salário e dar créditos aos alunos, e fico espantado, como as pessoas se irritam com comentários desse tipo. Por que todos querem uma opinião nossa sobre algo? Qual vai ser a diferença?
Começo a pensar que as pessoas gostam de saber a opinião alheia não para respeitar ou discutir, mas para brigar e fazer com que as dessas sejam inferiores as delas.
Claro que a opinião pode vir para um lado bom tambêm, quando por exemplo estava em um bar no fim de semana passado com alguns amigos e um deles opinou sobre uma obra de Santo Agostinho e com isso percebi que não havia me atentado corretamente na leitura, e a opinião dele me fez ver outro sentido na obra.
É claro que não temos como nos abster de tudo e ser um alienado, mas também não precisamos ter uma opinião sobre tudo e se tivermos é importante que se mude uma vez antes de morrer.
Ouví uma frase outro dia que expressa melhor o que quero passar com esse texto: "Temos que falar menos para ouvir mais e ouvir mais para entender melhor" Com essa grande carência que está havendo nas grandes cidades, onde todos estão sozinhos no meio da multidão, as pessoas se tornam mais falantes e menos ouvintes talvez para impressionar ou para se fazerem notar perto de tanta concorrência.
Como dizia Maria Bethania: Não queremos ser um rosto na multidão, mas o centro das atenções. Talvez nos devessemos ouvir mais a nós mesmos, talvez... Silêncio, Silêncio, mais Silêncio...
Marcio Gomes Roberto
Escrito por Redação às 18h14
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"Caro Luizir,"
Pretendia escrever sobre o egocentrismo, mas parece que nesse momento o caso Luizir é um pouco mais importante. Não sei por que razão isso me lembra Nietzsche, a citação é meio longa, mas vale a pena, faça um esforço:
"Eu vou sozinho, pois, meus discípulos! E também vós ireis embora sozinhos! É assim que eu quero e deve ser.
Afastai-vos de mim e defendei-vos contra Zaratustra! E, melhor ainda: senti vergonha dele! Talvez ele vos haja enganado.
O homem do conhecimento não tem apenas de amar seus inimigos, ele também tem de poder odiar seus amigos.
A gente retribui mal a um professor, quando permanece sendo sempre apenas seu aluno. E por que vós não haveríeis de querer arrancar os louros da minha coroa?
Vós me venerais: mas como, se vossa veneração um dia irá ao chão? Guardai-vos de não serdes abatidos por uma coluna!
Vós direis que acreditais em Zaratustra? Mas que importa isso a Zaratustra! Vós sois meus crentes, mas que importam crentes!
Vós ainda não havíeis vos procurado: aí encontraste a mim. É assim que fazem todos os crentes; e por isso valem pouco todas as crenças.
Agora eu vos ordeno: perder a mim para vos encontrardes; e apenas quando todos vós tiverdes me renegado, é que haverei de querer voltar a vós..."*
O difícil é ter que se procurar sozinho por força maior, e não por vontade própria.
Desculpe se pareço pedante, eu sou. Tenho tentado não ser injetando um pouco de conteúdo em meu pedantismo, mas eu dou um passo e ele dá dois; eu dou dois e ele dá quatro; dou quatro e ele... às vezes penso que é para isso que o pedantismo serve: para que eu continue andando.
"Quem rebaixa a si mesmo, quer ser elevado"**
*In Assim falou Zaratustra, Primeira parte, "Da virtude dadivosa"; Nietzsche.
**In Humano, demasiado humano; Nietzsche.
Abraços, e continue a luzir.
Thiago Rodrigues
Escrito por Redação às 00h20
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...
... Cinco pras quatro, o lugar de sempre: camaradas bebendo, pernas se exibindo, fumaça atraente... Sentei no canto de sempre, pedi um wiskey com água e acendi um cigarro. Malboro, uma marca conhecida, não era das melhores, mas era o que minha renda possibilitava no momento.
Depois de meia hora sentado senti uma estranha pressão na minha omoplata esquerda, era Luanda. Como era de praxe, estava bebada e cheirava a tabaco. Eu a havia conhecido numa corrida de cavalos, na qual perdi R$500,00 mangos, mas essa é outra estória. Ficamos nos olhando por longos minutos, até que perguntei:
-Vamos trepar?
-Demorou pra perguntar!
Luanda era uma garota que realmente gostava de perguntas, realmente era uma garota estranha e atraente.
Subimos para meu quarto, deitamos na cama e fudemos a noite inteira, reconheço que não foi uma das melhores. Ao acordar de manhã, percebi que meu pau não chegava a trinta centímetros, minha barriga de chopp havia sumido e aquela não era minha cama. Eu realmente não era Bukowski.
Rever conceitos, decontrução e reconstrução, mudanças METAMÓRFICAS acontecem com minha pessoa. De súbito me deparo com o saudosismo ao "peder", desta desisperança surgi como um ponto NEGRO no meio do nada: a LUZ.
BRUNO
Escrito por Redação às 16h58
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Pensando na despedida
No fim do semestre, recebi á notícia que um grande amigo iria se afastar da faculdade, no momento isso não me abalou, estava ainda meio atordoado com as provas semestrais. Porém quando entrei em férias caiu a ficha, como é difícil a despedida, esse sentimento de desprendimento de algo que estava tão acostumado, algo que se fazia tão necessário na vida e pensamos não poder viver sem aquilo ou aquele.
Uma certa tempestade de sentimento me invadiu no começo á raiva com um certo tempero de desespero que deixa os rancores e magoa onde não se acha um culpado para esse abandono, depois vai ficando pior, você não aceita e nega, coloca a culpa em tudo e todos e briga com o mundo, mal se sabe que o único a sair machucado é você mesmo.
Só então na forma perene podemos conceber a perda, conseguimos deixar de ser egoistas e pensar no bem comum.
Vendo a biografia de grandes pensadores; Schopenhauer, Nietzche e outros, começamos a compreender por quê eles se afastaram da humanidade, penso eu, que não foi por pretensão como já ouví alguns falarem, tambêm não acredito que seja para escrever suas obras como tambêm defendem alguns teóricos. Penso que fizeram isso por pura covardia, por medo de se prenderem a alguma coisa e sofrerem tanto a ponto de entrarem em contradição com os seus pensamentos, pois se não ama nada não se tem o que perder.
Prefiro ter esses sentimentos de perda, rancor, raiva, tristesa, há que viver isolado sem amigos para perder, sem amores para acabar, sem pecados pra cometer.
Não tenho mais o que falar sobre a perda, pois perdi um bom amigo e o meu tempo com esse texto que só nos remete a esse sentimento covarde e medroso.
Até qualquer dia...
Márcio Gomes Roberto
Escrito por Redação às 18h46
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Deixo o cargo...
Por esses dias passados recebí a intimação para comparecer na Zona Eleitoral (antes fosse a outra), me intimaram ao exercício de mesário na próxima eleição, na intimação vinha a seguinte ameaça: caso eu não comparecesse pegaria até 3 meses de cadeia, ora, não tenho direito de recusar tão ilustre cargo?
Penso nas frases que precede a eleição como: democracia, dever, fazer o que é melhor, escolher o melhor, enfim, penso nisso e me vejo obrigado a fazer algo que não considero o melhor, contra a minha vontade, contra essa imagem ilusória da democracia que eles mesmo nos colocam.
Já nos tiram o prazer da bebida nesse dia, onde poderiamos estar bebendo e rindo de tudo que nos cerca, e ainda nos fazem trabalhar das 07h00 as 18h00. Poxa, alguêm ponha bom senso nessas pessoas.
Já não há salário e ainda precisamos ser psicólogos ouvindo as insatisfações da massa com os seus governantes, para alguns temos que concordar afim de não arrumar briga, já com outros precisamos passar uma certa esperança cambaliante e sem crédito pois já não gozam de muita saúde e vontade de viver e naquele momento nós (mesários) somos as "coisas" mais próximas que essas pessoas tem com a política e com o futuro nos próximos 4 anos.
Não sou patriótico, não acredito em nação, pra ser sincero, são poucas as coisas que eu acredito e mesmo assim duvido de vez em quando. Então por quê não fazer algo voluntário, pois há sem dúvidas alguns fanáticos pela política que adoraria papiar com o povo nesse dia e discutir fervorosamente o canditado perfeito para governar essa famigerada terra.
Então por favor me deixem em paz, tenho outras prioridades como dormir em pensar no amor e suicídio. Deixem essa tal de política pra quem tem tempo. Obrigado.
Márcio Gomes Roberto
Escrito por Redação às 17h29
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Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tetos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém! Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou, É uma onda que se alevantou, É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí!
Achei essa maravilha e queria compartilhar com vocês, belíssimo poema...
Márcio Gomes Roberto
Escrito por Redação às 10h46
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Desculpem a falha... o texto é de Arthur Schopenhauer.
Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.
O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, atrvés da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm?
Thiago Rodrigues
Escrito por Redação às 21h20
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EU TOMO ALEGRIA!
Já é lugar comum, mas gostaria de falar um pouco sobre isso. Talvez o maior poema de Manuel Bandeira tenha sido sua própria vida. Todos sabem que aos dezenove anos o poeta adoece do pulmão, fato este, que faz com que ele nunca mais possa ter uma vida normal. "A vida que podia ter sido e não foi", se fosse preciso um único verso para sintetizar tuda sua obra, talvez esse fosse o verso. A iminência da morte moldou sua vida. Morte, que tardou a chegar, como nas palavras do próprio poeta, "Sim, já perdi pai, mãe, irmãos", predestinado à morte, no entanto...
A morte concede ou destitui sentido à vida?
ANDORINHA
Andorinha lá fora está dizendo:
- "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...
Se todos estamos destinados à morte, por que não desistir agora? Por que seguir vagando sem um sentido palpável? Ou será que é justamente porque o caminho da vida é a morte que devemos fazer com que cada escolha nossa valha à pena? Não me preocupo com o lugar de onde viemos, nem tão pouco para onde vamos, aliás, é curioso que exista quem se preocupe com isso.
ENTREVISTA
Vida que morre e que subsiste
Vária, absurda, sórdida, àvida,
Má!
Se me indagar um qualquer
Repórter:
"Que há de mais bonito
No ingrato mundo?"
Não hesito:
Responderei:
"De mais bonito
Não sei dizer. Mas de mais triste,
- De mais triste é uma mulher
Grávida. Qualquer mulher grávida."
A vida vale a dor e a pena de ser vivida? Se aqui eu não sou feliz? Por que não vou-me embora pra Pasárgada? Se todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir, por que não vou-me embora pra Pasárgada? Por quê? É preciso que cada um de nós construa dentro de si sua própria Pasárgada.
"Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí, e não como forma imperfeita neste mundo de aparências, uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a 'minha' Pasárgada" (em Itinerário de Pasárgada).
Não temos que ter esperança. É covarde quem espera consolo na morte. É preciso fazer com que a vida faça sentido. É preciso assumir a responsabilidade por nossa pópria existência.
Obs.: Me desculpe Bandeira se me aproprio de suas palavras de maneira imprópria e desonrosa para defender coisinhas que acabo acreditando, isso passa, devem ser os hormônios da juventude, esse trágico romantismo que tanto abomino, desculpa...
Thiago Rodrigues
Escrito por Redação às 22h13
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PROLEGÔMENOS A UM TEXTO TRIUNFAL
O BEIJO de Manuel Bandeira
Quando a moça lhe estendeu a boca
(A idade da inocência tinha voltado,
Já não havia na árvore maçâs envenenadas),
Ele sentiu, pela primeira vez, que a vida era um dom fácil
De insuputáveis(?!) possibilidades.
Ai dele!
Tudo fora pura ilusão daquele beijo.
Tudo tornou a ser cativeiro, inquietação, perplexidade:
- No mundo só havia de verdadeiramente livre aquele beijo.
Thiago Rodrigues
Escrito por Redação às 21h01
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Zonas Autônomas Temporarias
Há toda merda, é fato. Há o tédio dessa cultura fetichista; há ganância; há estupidez; há irracionalidade. Porém, há a ZAT ou TAZ(Temporary Autonomous Zone), focus de resistência se organizam, constituem em si uma moral única.
Barzinhos regados de cerveja, espaços culturais na Paulista, blogs, são exemplos de um tipo de resistência que se perpetua desde os piratas e corsários. A web com sua livre troca de informações, mercado negro, etc. Consiste num sistema recheado de TAZs, seria a "anti-net"?
Hoje fui à um sebo: Depois de ser abordado por pessoas que pediam dinheiro senti medo ao ser observado por alguns olhos estranhos, tirei alguns fios de cabelo que tocavam meus olhos irritados e segui em frente. Cheguei num lugar que aparentemente poderia ser chamado de "buraco"e desci uma escada rumo à uma escuridão aparente. Ao adentrar na mesma percebi que não estava mais sentindo tédio, aquela escurindão era estimulante. Escutei uma discussão que acontecia sobre revoluções marxistas e fiz algumas intervenções, o cara cabeludo e o de cabelo curto eram muito "gente boa". Depois de subir novamente as escadas, depois de reencontrar a luz e o tédio pensei: "Dentro do nada há alguma coisa"...
Referência: HAKIM BAY, TAZ: Zona Autônoma Temporária.SP: Conrad Editora do Brasil, 2001.
BRUNO
Escrito por Redação às 01h28
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DESABAFO!!!
Estava olhando uma propaganda de filtro solar, onde o narrador utiliza por volta de 8 minutos para falar frases bonitas para elevar a confiança do indivíduo, e o pior, fiquei emocionado.
Estranho como algumas palavras ou algum gesto dependendo da situação onde nos encontramos pode nos influenciar tanto para o saudável quanto para o doente. Isso me leva a pergunta: Até que ponto somos autênticos e verdadeiros? Será que o resultado final, ou seja nós, não passamos de várias influências ao longo dos anos? Deixemos para a psicologia responder a essa pergunta, pois já não me serve a resposta.
Outro assunto que anda me levando a reflexão é uma frase que uma pensador que não me lembro o nome disse: "Á dois tipos de apaixonado, os que ficam apáticos e os que usam a paixão para algo positivo, devemos canalizar a força desse sentimento para a criação".
Frases como essa que me levam a acreditar que a Filosofia é utópica, pois não reconhece o limite do ser humano, Talvez devessemos parar de utilizar frases Bonitas que mais parecem frases de auto-ajuda e falar realmente o podre, o cadáver dos verbos. Devemos falar mal do amor, devemos mal dizer a vida que não pedimos, devemos caluniar o Deus que nos impuseram como todo poderoso, devemos para de aclamar filósofos que não fizeram mais do que ficar sentados esperando a vida passar, devemos parar de ter esperanças na vida onde só se encontra pessoas famintas de desgraças e desilusões, chega de querer mudanças onde só pensamos em nós mesmos, em nossos umbigos profanos, nosso novo carro, nova casa, novo emprego, novo depósito de esperma, e quando finalmente estivermos prontos, dar um chega para a vida, para esse ar já gasto e reciclado, um basta a única coisa que conhecemos e não gostamos, talvez o desconhecido seja mais interessante e dê mais tesão que essa grande rotina. Quem sabe um dia...
Márcio Gomes Roberto
Escrito por ... às 17h16
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Apêndice ao texto anterior.
*Julio Cabrera, Nasceu em Córdoba, Argentina. Doutor em filosofia com pós-graduação na Fraça e na Espanha. Atualmente é professor de filosofia da linguagem e ética na UnB, Brasília.
** In.: O cinema pensa: uma introdução à filosofia através dos filmes, de Julio Cabrera. RJ: Rocco, 2006.
Thiago Rodrigues
Escrito por ... às 15h41
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De Descartes a Drummond.
Diversas vezes ouvi pelos corredores da faculdade colegas se referirem à literatura, ou a qualquer obra ficcional como sendo textos mais simples, ou até mesmo inferiores em relação aos textos filosóficos. Não vejo dessa maneira. Primeiramente penso que comparar a ficção ao texto filosófico é tão útil quanto comparar a adaptação cinematográfica ao livro em que ela se baseia. São linguagens distintas, e o diretor que não compreende isso, não compreendeu o sentido do termo “adaptação”.
Como no cinema, ficção e texto filosófico são linguagens distintas, podendo o filósofo utilizar-se de recursos literários (como no caso de Nietzsche, Schopenhauer, etc), onde metáforas e outras imagens ditas da literatura ficcional estão sempre presentes; ou vice-versa, autores de ficção buscarem na filosofia a matéria de seus escritos, como Borges, por exemplo.
Mas já que a comparação foi feita, vamos provocar um pouquinho. Se existe um juízo de valor por que não inverter as sentenças? Se existe uma escrita superior, a meu ver, esta seria a ficcional, ou alguém ousa dizer que Grande Sertão: Veredas é um livro fácil e não filosófico. Entendo que mais do que uma ilustração de conceitos filosóficos, a literatura defende seus próprios conceitos, desenvolve seus argumentos próprios de maneira coerente, e mais, chega a lugares aonde nem mesmo a gran filosofia consegue alcançar (!?).
Certa vez em uma entrevista, ao ser indagado sobre o sentido de certo poema, Drummond responde, que todo poema que ele escrevia vinha de uma necessidade, ou seja, quando se quer expressar alguma coisa e não é possível dize-la de outra maneira, se não, através de um poema. Talvez aqui Drummond defina o que é ser poeta. Num momento se ama, no outro deixa-se de amar, o que acontece entre um momento e outro a filosofia não é capaz de expressar, a menos que lance mãos de recursos literários.
Portanto, penso, que é através da arte, e só através dela que a filosofia é capaz de expressar certos conceitos. Busco apoio na definição que Julio Cabrera* faz dos filósofos, para ele, existem dois tipos de filósofos os "páticos" (pathos) e os "apáticos". Sendo os filósofos apáticos aqueles que buscam eminentemente fundar suas teorias com elementos lógicos, e páticos aqueles que "não se limitam a tematizar o componente afetivo, mas o incluíram na racionalidade como um elemento essencial de acesso ao mundo"**.
Thiago Rodrigues
Escrito por ... às 14h40
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Olho para o teclado, essa coisa inerte, a minha vista dói por conta da cândida...Banheiro.
Hoje realizei algo aparentemente banal, porém novo para mim: lavei o banheiro de casa. No meio de toda aquela espuma com aquele cheiro nauseante eu pensava: ótimo, eu falo(faço alguns discursos bonitos até) sobre a desigualdade social, brigo, discuto às vezes, mas o que eu faço para mudar toda essa merda? Cadê a práxis? Talvez eu poderia assumir uma postura chocante meio anarco-punk, talvez uma postura marxista: "proletários univos!", quem sabe uma postura "pederasta-Piva-beatnik", muita informação.
Eu pensei por algum tempo sobre a mobilidade hesitante do "Angelus Novus"(Escola de Frankfurt), achei muito boa a crítica à "razão irracional", cientificista e contemporânea que a mesma estabelece. Muito interessante também, é a intenção de resgatar os sentimentos e emoções retirados como coisas banais da razão humana. Por que uma certa paixâo é considerada irracional? Nossa moral, moldada por uma sociedade pragmática é racional? Voltei à frase de Pascal: "O coração tem razões que a própria razão desconhece", nâo seria talvez o coração mais racional do que a nossa dita razâo?
Conclui que talvez, o resgate de valores seria um resgate da razão, ou seja, algo que estimule o sentimento: a arte. Neste momento comecei a espirrar e sequei o benheiro.
ps. desculpem os erros gramaticais, os de concordância, os de sentido e os de nexo.
BRUNO
Escrito por ... às 23h57
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Requentando pensamento...
Nesses últimos dias tenho procurado ocupar a cabeça com tarefas extras para não ter certos tipos de pensamentos, enfim, não sei se por provação ou exibição comecei a fazer academia, aproveitando que estava fazendo algo saudável aproveitei também para parar de fumar, coisa que venho almejando faz tempo, marquei alguns encontros com amigos que não vejo faz tempo e assumi outras responsabilidades também.
Comecei a pensar nessas atitudes e me certifiquei de um ditado antigo porém muito verdadeiro, "Cabeça vazia é oficina do Diabo" Refletindo sobre isso não consegui tecer um argumento plausível para essa atitude.
Me parece infantil e covarde no começo, pois para escapar de um pensamento ter que afundar a cabeça em atividades é no mínimo fugir da raia, porém lí em algum lugar que quando *Simone d'Bevoiuer ficava em depressão, Sartre mandava-a lavar roupas. Constatei que fazer atividades para não ter determindados tipos de pensamento pode até parecer covarde, mas funciona, porém temos que tomar cuidados com os outros pensamentos que essa nova atividade nos trás.
Pois no meu caso, tenho que evitar o pensamentos indesejados fazendo exercícios horríveis e não tenho mais o cigarro para relaxar, Será que ainda não existe uma forma de requentar bons pensamentos?
* Escritora e esposa de Sartre.
Até um dia qualquer.
Márcio Gomes Roberto
Escrito por ... às 18h32
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Medo de mudança...
Nesses últimos dias tenho pensado bastante na palavra mudança, notei que ela só aparece quando nós temos necessidades que não são supridas, ou então quando nós estamos infelizes com algo. Parece ser conclusões simples, porém o que desencadeia a mudança? Por que essa busca pelo desconhecido?
Nós perseguimos a mudança em nossas vidas a todos os momentos, quando sonhamos, quando paramos de fumar ou começamos, quando mudamos o corte de cabelo, enfim, nunca estamos realmente felizes com a vida que levamos, mas quando chega a hora de realmente colocarmos essas "Grandes" mudanças em prática, nós morremos de medo do novo, do diferente e queremos voltar a rotina que tinhamos antes, pois essa não apresenta surpresas...Então fica a minha pergunta: Como podemos desejar tanto aquilo que não queremos? Sei que parece uma falácia, mas como Sócratres (só sei que nada sei) também coloco á minha em discussão. Será a mudança a nossa salvação da mediocridade ou mais uma forma de nos tornarmos infelizes pela insatisfação contínua do ser com a sua realidade.
Também notei que enquanto esperamos essa mudança a nossa volta, nós mudamos involuntariamente, sem que nos avisem ou nos peçam permissão. Começamos a não ver mais as mesmas graças nos pipas, nos jogos de Domingo á tarde, nas baladas nem em filmes de ação , mudamos as nossas prioridades em uma noite de sábado no qual preferimos ler "O Banquete", ao invés de sair para a noitada como costumávamos fazer, e os nossos amigos então, ah esses já não são mais os mesmos, se foram assim com a esperança que tivemos de um dia mudar o mundo.
Cheguei a conclusão momentãnea que a mudança é algo tão preciso como a própria morte, pois ambos chegam sem pedir licença, são indiferentes as nossas vontades e nos fazem ver que o quanto estavamos errados a cinco minutos atrás e principalmente nos fazem ter vergonha do simples fato de existir.
Espero pela mudança de amanhã...
Até um dia qualquer.
Márcio Gomes Roberto
Escrito por ... às 16h45
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Escrever é preciso.
Disse Tom Zé certa vez que a liberdade é um inferno. Preciso escrever algo.
Penso (acho, acredito ou sei?), que todo escritor, se escritor é apenas aquele que escreve, ora, estou escrevendo, portanto sou escritor, deve escrever com uma ferida na ponta dos dedos, ou em algum dedo, (acho, agora eu acho mesmo, que alguém já escreveu algo parecido).
Agora faz um puta frio, eu estava deitado namorando, e para completar cortei meu dedo, no entanto preciso escrever alguma coisa. Casualmente pensei no tema da liberdade, que é um tema que abrange a totalidade de leitores desse blog. A liberdade total é constrangedora, criar a partir do nada é muito mais difícil do que quando se tem um tema delimitado.
Tento com esse texto inaugural estabelecer um diálogo.
Será que nossa idéia de liberdade, como sendo a satisfação imediata de todos os nossos impulsos, não seria mais uma maneira de nos tornarmos escravos de nossas paixões?
Obs.: Pergunta retórico-reflexiva, não necessita de resposta.
Abraços de um apaixonado.
Thiago Rodrigues
Escrito por ... às 23h39
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