beliscandotartaruga: Reflexões e pensamentos sobre o cotidiano.


    Antes tarde do que nunca.  

   Desculpem o atraso, crise temporária. Talvez por falta de inspiração (divina?) transcrevo abaixo um diálogo entre dois dos nossos colegas de turma, no entanto não sei se resistirei a tentação literária de acentuar ou atenuar esse relato, vamos aos fatos:

    :Fiquemos no campo da "Dóxa sistematizada".

    :E o que seria essa tal de "Dóxa sistematizada"?

    :Seria a "Epistéme" sem a pompa.

 

    :Sobre o caráter inato da "criminalidade", ou melhor, de um criminoso. Não tomemos o abstrato pelo concreto.

    :Não gosto do Fernando Meireles.

    Fundamentando a "Dóxa"

    :Em um debate sobre seu Filme (Cidade de Deus) Meireles afirma, contrário a Paulo Lins, o caráter inato da criminalidade.

    Lins:O criminoso é produto do meio, dessa sociedade excludente.

    Sartre:A existência precede a essência.

    Meireles:Se educados num mesmo ambiente, com iguais condições, por quê Zé Pequeno envereda pelo caminho da criminalidade enquanto que seu irmão escolhe viver uma vida honesta?

    :Mesmo ambiente? Iguais condições? Será que ao se inserir num lugar onde já existe um outro ser para dividir o amor materno, não seria o suficiente para proporcionar uma compreensão completamente distinta da realidade?

Thiago Rodrigues



Escrito por Editores às 22h49
[ ] [ envie esta mensagem ]


ACONTECIMENTOS COTIDIANOS...

 

Outro dia eu estava comendo num “lugar de bacana”, geralmente não tenho grana, mas esse dia foi um daqueles dias em que a gente sente vontade de fazer algo diferente, como comer feijão com arroz ou invés de arroz com feijão.

Lá estava eu a degustar algo diferente do “de sempre”, quando fui interrompido por uma imagem que saltou a minha vista, foi sem cerimônia interrompendo minhas divagações enfadonhas:

--Tio, to com fome.

--Desculpe, não tenho dinheiro.

A imagem olhou-me com seus olhos famintos e foi interromper outras divagações. Fiquei ali pensando em teorias malucas para explicar esse fato, o tempo foi passando, terminei de comer e me mandei.

Olhei para o relógio, eram 20:30h, resolvi ir a pé para compensar o prejuízo, olhava os rostos das pessoas e pensava em que estariam pensando, mais uma vez minhas divagações foram interrompidas:

--Por favor, senhor, tem horas?

Era um sujeito bem arrumado com pinta de boyzinho.

--Desculpe não tenho relógio.

--Passa a mochila, calma, não vai te acontecer nada.

Num estado de abobamento meus pensamentos confundiam-se, as pessoas passavam, olhavam e desviavam olhar com olhares tediosos. Passei a mochila que estava vazia de coisas de valor, a mesma carregava um pouco de filosofia, um Sartre, um Kerouac, e um caderno com anotações ilegíveis.

Após a tremedeira, reparei numa moça que era assaltada no farol, e num vendedor de rua que era expulso por um guarda. Ao voltar o olhar para dentro do ônibus vi abusos sexuais e olhares tediosos.

Chegando em casa fui abordado por minha mãe com lagrimas nos olhos, disse ela que estava preocupada, com um aperto no peito, disse-lhe que estava tudo bem:

--Foi só a mochila...

Disse-lhe também, que esperava que a imagem fizesse bom proveito dos livros.

Antes de dormir fui ao banheiro, peguei a pasta e a escova, antes olhei para o espelho, minhas olheiras estavam mais fundas que o normal, e em minhas divagações uma pergunta divagava: Onde deixei minha paranóia?

BRUNO



Escrito por Editores às 20h08
[ ] [ envie esta mensagem ]


Não estou entendendo mais nada...

Um vôo americano com destino à Índia voltou nesta quarta-feira ao aeroporto Schiphol, em Amsterdã, escoltado por dois caças  F-16 depois que membros da tripulação suspeitaram do comportamento de alguns passageiros, segundo autoridades  aeroportuárias.

"Alguns deles se comportaram, na opinião da tripulação, de maneira suspeita", informou declaração do Ministério  da Defesa, sem detalhar que ações teriam despertado inquietação na tripulação. "Como resultado, o capitão  pediu para retornar a Schiphol".

Vendo essa matéria no jornal, fiquei com uma certa cólera dos EUA, como eles podem interferir no nosso modo de agir?

Qualquer pessoa que não seja americana, que não fale inglês, ou que se vista de forma diferente é agir de maneira suspeita para os americanos.


Como podemos chegar a esse ponto? Ora, e a nossa espontaneidade?

Quer dizer que corro risco de morte se me der um ataque de tosse dentro disney? Brincadeiras a parte, Começo a pensar que talvez esse seja o castigo por tantas atrocidades cometidas pelos nossos "néo-colonizadores". O medo faz o que nós adorariamos fazer, ele os humilham.

* Fonte: Folha se São Paulo

Marcio Gomes Roberto



Escrito por Editores às 18h08
[ ] [ envie esta mensagem ]


A DITA LIBERDADE NOVAMENTE...

 

O texto de May fez-me retornar a uma questão que me persegue qual uma sombra: Quem sou eu?  No texto escreveu-se uma frase estimulante e indagadora: “seja você mesmo”. Está aí à solução para os problemas psíquicos que atormentam nosso século!

 

Atenção! Senhores psicólogos, psiquiatras, filósofos clínicos e afins, estão todos na rua!(santa ironia!) Que cômodo seria estabelecer sua inutilidade, talvez um mundo de seres saudáveis?... Li que com essa frase pode-se definhar um cérebro enfermo. Malditos chavões. Quem sou eu mesmo?

 

Esta grande chave mestra é obtida pela perscrutação de admiráveis profissionais, que influenciados por um austríaco, realizam um magnífico trabalho social, o mais fundamental talvez. Como posso “mudar” o mundo se não consigo “mudar” a mim mesmo? Como “mudar” a mim mesmo se não conheço meu próprio ser?

 

Tantas personalidades, tantos métodos, tantas questões...  

 

Abraços de um neurótico.

 

BRUNO



Escrito por Editores às 18h57
[ ] [ envie esta mensagem ]


Se te Queres
 
    Se te queres matar, por que não te queres matar?
    Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
    Se ousasse matar-me, também me mataria...
    Ah, se ousares, ousa!
    De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
    A que chamamos o mundo?
    A cinematografia das horas representadas
    Por atores de convenções e poses determinadas,
    O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
    De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
    Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
    Talvez, acabando, comeces...
    E, de qualquer forma, se te cansa seres,
    Ah, cansa-te nobremente,
    E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
    Não saúdes como eu a morte em literatura!

    Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
    Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
    Sem ti correrá tudo sem ti.
    Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
    Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

    A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
    De que te chorem?
    Descansa: pouco te chorarão...
    O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
    Quando não são de coisas nossas,
    Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
    Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...

    Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
    Do mistério e da falta da tua vida falada...
    Depois o horror do caixão visível e material,
    E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
    Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
    Lamentando a pena de teres morrido,
    E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
    Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
    Muito mais morto aqui que calculas,
    Mesmo que estejas muito mais vivo além...
    Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
    E depois o princípio da morte da tua memória.
    Há primeiro em todos um alívio
    Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
    Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
    E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

    Depois, lentamente esqueceste.
    Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
    Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
    Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
    Duas vezes no ano pensam em ti.
    Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
    E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

    Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
    Se queres matar-te, mata-te...
    Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
    Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

    Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
    As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?

    Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
    Ah,  pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
    Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

    És importante para ti, porque é a ti que te sentes. 
    És tudo para ti, porque para ti és o universo,
    E o próprio universo e os outros
    Satélites da tua subjetividade objetiva.
    És importante para ti porque só tu és importante para ti.  
    E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?  

    Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
    Mas o que é conhecido?  O que é que tu conheces,
    Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

    Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
    Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
    Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
    Dispersa-te, sistema físico-químico
    De células noturnamente conscientes
    Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
    Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
    Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
    Pela névoa atômica das coisas,
    Pelas paredes turbihonantes
    Do vácuo dinâmico do mundo...

Alvaro de Campos

Macedônio Rodrigues

Escrito por Editores às 19h36
[ ] [ envie esta mensagem ]


    Sendo canonizado...

 

    Talvez seja possível estabelecer uma distinção entre influência e identificação. Existem autores com o qual nós nos identificamos, onde tudo que é dito parece fazer sentido, e existem também, aqueles que não nos tocam. Muitas vezes você descobre que tudo aquilo em que se acreditava não tem o menor valor, outras vezes, parte daquilo deixa de fazer sentido. Faz parte do processo de formação entrar em contato com os cânones, e se identificar mais com alguns autores do que com outros. Constantemente, durante esse período de formação, nos é apresentado algo realmente novo, algo que nos toca a ponto de mudar nossa maneira de se relacionar com o mundo, talvez isso signifique ser influenciado.

    Estou em crise. Se crise é sinônimo de ruptura, esse momento da vida onde tudo se apresenta como novo é, talvez, uma das maiores (e melhores) crises que se pode passar.

    Ao ler a coluna de Daniel Piza, onde ele expõe sua lista com os dez mais influentes livros da literatura brasileira e, se defende das críticas de um leitor em relação a elaboração de tais listas, ele diz: “Todos passamos por essa fase da formação em que elaborar listas era divertido e útil, jamais essencial”. É mais ou menos isso, esses rótulos que usamos para classificar as escolas deve ser divertido e até útil, mas jamais essencial. Toda classificação desse gênero tende a ser reducionista, no entanto como fugir delas? Quem nunca se aventurou por tais listas que atire a primeira pedra. Sempre pensei que o grande barato seria negar minhas influências, fugir delas, começo a entender o quanto isso é inútil.

 

Pedro Abelardo



Escrito por Editores às 19h21
[ ] [ envie esta mensagem ]


Destruam os Filósofos, explodam o 6º andar...

Um garoto, tem a certeza que o mundo anda injusto, sentado na calçada onde conversava com o seu Pai quando ele estava vivo, lê um Livro onde esta escrito " Me dêem uma alavanca bem forte e um ponto  de apoio bem firme e sozinho eu moverei o mundo.


Motivado por essas frases ele começa a tentar fazer a diferença, começa a lêr grandes pensadores, eleva a sua preocupação para problemas realmente angustiantes e começa a pensar.

Com a melhor da intenções se matricula em um curso de Filosofia afim de apreender o por quê do Ser Humano ser desse jeito.

Abre discussões calorosas na sala de aula com os professores , até que começa a ver alunos sem nenhum tipo de interesse pela Filosofia.


Se pergunta se não seria lá o lugar onde se pensa? Um amigo ao lado diz, Sim, é aqui que se pensa no Holerite,
na quantidade de aulas que podemos pegar, no poder que podemos exercer nos alunos, enfim, aqui é só mais um sala de aula onde viemos pegar o diploma para garantir o emprego.

O garoto sai arrasado, não queria dar aulas, queria fazer a diferença, queria pensar em uma solução, queria achar o apoio bem forte para que ele (a alavanca) fizesse a diferença...


Depois de alguns anos o Garoto se tornou um assaltante de banco respeitado na Quebrada da Zona Norte, aponta para a rua de cima e 12 aparecem mortos no dia seguinte.

Para aquele que era um sonhador a Filosofia fez a diferença.

Ps. In Memorian desse Garoto morto em uma chacina quando a Pm Invadiu o seu barraco e atirou covardemente enquanto ele lia "Confissões" Sta Agostinho.

Pietro



Escrito por Editores às 19h13
[ ] [ envie esta mensagem ]


Sarado...

Até onde é futilidade se preocupar com o corpo?


Desde a época de Sócrates já havia um preocupação com o corpo tanto que na educação era fundamental e disciplina de ginástica o próprio Platão ganhou esse apelido por ter ombros largos daí o apelido Platos, quem leu o Banquete também pode ver essa preocupação na passagem de Alcebíades, onde ele era o Belo.


Também na Mitologia temos o Narciso, conta a história que ele sempre ficava em um galho em cima do lago onde  admirava o seu reflexo na água, até que um dia o galho quebrou e Narciso se afogou, pois não sabia nadar.

Ao longo da história a beleza corporal sempre foi almejada, tanto por mulheres quanto por homens, nem sempre a beleza padrão foi a mesma, no Sec XVII, por exemplo, o padrão de beleza eram as Gordas com a pele bem branca, que davam a impressão de boa alimentação e de não fazer nenhum trabalho manual debaixo do sol.

Levando tudo isso em conta, por quê nós temos tanto preconceito contra musculosos e musculosas? Por quê achamos eles menos inteligentes do que nós? Por quê achamos que eles são fúteis e só querem saber de academia?

Ora, se isso foi uma preocupação de 2500 anos, quem somos nós para menosprezar esse desejo de estar belo.
Será que na verdade isso não nos causa inveja, quando criticamos será que não queriamos ser eles?

Quando tiramos a camiseta na praia e mostramos nosso corpo dizendo que estamos felizes com a nossa barriga (ou falta dela) , ou então quando mudamos para um numero acima o nosso manequim, será que realmente não nos importamos?

Será que eles não são mais corajosos do que nós ao frequentar uma academia todos os dias e gastarem uma fortuna em complemento?

Talvez isso seja uma prova de que na verdade eles não se importam com as categorias nos quais nós os rotulamos e são felizes.

O que eu quero dizer é que se um Homem musculoso não conhece Chico Buarque, todos caem em cima dizendo que é muito corpo e pouco cérebro, agora se um magricelo diz não conhecer Chico Buarque, nós nos calamos e não arriscamos nenhuma piada, pois o magricelo não nos ameaça, não temos inveja dele, já o fortão, ele sim, temos que saber todos os seus defeitos e até invetá-los para poder atacá-lo.

Ah se cada um fosse feliz com o seu próprio corpo.

Márcio Gomes Roberto



Escrito por Editores às 19h20
[ ] [ envie esta mensagem ]


  • Em resposta ao texto da semana passada:

    "Saudade da Guerra Fria, né? A gente sabia que podia morrer a qualquer momento, mas pelo menos sabia por quê." Luis Fernando Veríssimo, O Estado de São Paulo de 13 de agosto de 2006.

  • "Sem música, a vida seria um erro"

    Quero falar um pouco sobre música. Não tenho nenhum conhecimento mais aprofundado sobre a música, no entanto me meto a escutá-la, inclusive a chamada erudita, e o que é mais incrível, isso me proporciona grande prazer. Penso que esse papo de que a música clássica não é ouvida pela maioria das pessoas porque elas não teriam capacidade de entender, um papo elitista e preconceituoso. Talvez seja uma das poucas experiências estéticas capazes de tocar nossa sensibilidade de maneira tão direta e arrebatadora. Não pretendo, com isso, dizer que é dispensável ler sobre música, porque não é. O que quero dizer é que qualquer pessoa sensível pode apreciar a boa música.

    Ontem, à convite de um amigo que é funcionário de um teatro fui assistir a um espetáculo de dança. Confesso que sempre achei dança algo chato. Fui pela música. Eram dois espetáculos, o primeiro tinha como trilha uma missa de Mozart. Tenho que confessar também, que o primeiro não me tocou, pelo menos não imediatamente. O segundo tinha como trilha músicas de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, foi quando aconteceu um milagre, e durante uma hora parecia que a dança fazia todo sentido para mim. Não pela música, que tinha lá seus defeitos (o Wisnik pode ser um bom compositor, mas como cantor ele é um bom professor de literatura), mas pelo todo, que me emocionou profundamente.   

    As vezes é preciso tentar o novo...

Thiago Rodrigues



Escrito por Editores às 23h01
[ ] [ envie esta mensagem ]


Olhares hipócritas

Quando saio a noite vejo nos olhos dos jovens o sonho perdido de um tempo triunfal, sonho esse que apesar de equivocado, segue se mascarando em mentes desfiguradas.

Esse mundo que a tudo engole, transforma as coisas, camufla sonhos em simples imagens comerciais e torna vivo o tédio, sentimento derivado da não concientização da verdadeira necessidade universal, da vazão à grande máquina que realiza sua maquiavélica intenção.

Na tentativade de saciação individual encontra-se uma barreira, uma máscara, que imposta pela sociedade proporciona uma alienação das verdadeiras aspirações individuais, fazendo cair no esquecimento as reais motivações humanas. Esquece-se que as decisões individuais influenciam o coletivo, como escreveu um pensador:"ao escolher para mim, escolho para a humanidade"(não com essas palavras).

Tudo o que vejo são anjos vagando pelas ruas, presos dentro de envolcros carnais, arrasadoramente vazios, com olhos sublimes que evidenciam algo saturnino. No fundo de suas retinas posso ver ainda um certo ideal, chama essa que esquecida aniquila aos poucos a vida.

BRUNO



Escrito por Editores às 21h02
[ ] [ envie esta mensagem ]


Morte da minha rua...

Minha infãncia foi normal, como qualquer uma outra que pegou a década de 80, jogo de bola na rua com sacos de lixo como trave, e quando a bola caia na casa do Português da esquina, vixe, dava aquela briga pra saber quem iria tocar a campainha.

Computador naquela época era só em agências bancárias, ainda lembro quando ví o primeiro na minha frente, 286, tela verde e com o teclado acoplado no monitor.

Nossos brinquedos era nós mesmos que fazíamos, Fliperama com elásticos e tampinhas, carrinhos de rolemãs rebaixados, cano PVC com bexiga para atirar feijão, pipas e cortantes feitos na casa do Lê.

Ah! Como era bom juntar meus primos pra jogar queimada e outras coisas, não importava quem ganhava, não importava que era o melhor, parece que nós já sabíamos que o importante mesmo era estar alí reunidos e que aquilo não era para sempre.

Não tinhamos responsabilidades, pressão, pra falar a verdade não tinhamos nenhuma características de maturidade.

Lembro-me que deixava a minha mãe cada vez com os  cabelos mais brancos quando saía para a rua, saudosa Dona Sebastiana, que Deus a tenha. Lembro também quando ao lavar uma calça minha ela achou meu primeiro maço de cigarros, eu achando que os anos de vida dela não havia lhe dado experiência disse que era de uma amigo meu, me enganava profundamente, Dona Sebastiana malandra e mais um pouco, lembro da decepção dela pelo seu filho que nunca mentia ter contato a primeira mentira.

E o Pedrão (meu Pai) saía com a sua barra forte na rua e um radinho amarrado ao guidon, alegava que se os carros podiam ter músicas ele também podia, uma figura,  certa vez me disse que quando eu fosse homem deveria ser igual a ele, quanta honra seria se eu fosse ao menos a metade do que ele é.

Naquela época, não tinhamos tempo para pensar em garotas, nosso negócio era jogar bola no Larguinho(chovendo era melhor ainda), esperar férias de Julho e Dezembro para empinar pipa, como noivo que espera a noiva no altar, e jogar taco na rua como se ela tivesse sido feita sobre medida pra nós, a rua era a nossa segunda casa, tratávamos dela com muito carinho, pintávamos em época de Copa do Mundo, enfeitávamos em Festa de São João e fazíamos fogueiras no frio onde se reunia não só a nossa turma com também nossos pais, vizinhos e alguns garotos da rua de cima, mas tudo bem, nós dividíamos ela de vez em quando.

Agora com 16 anos de atraso voltei lá, depois de ter mudado de casa, de amigos, de pensamentos e ter adquirido responsabilidades, maturidade, e experiência. Voltei na rua onde nasci e onde fui apresentado para o mundo e não vejo os Garotos que deveriam estar lá brincando, pelo contrário, vejo um monte de carros estacionados onde se torna difícil à passagem, gente entregando folhetos e se eu não me engano, até demoliram a casa do Português.

Cadê os garotos que deveriam ocupar os nossos lugares? Por quê não estão alí tomando conta do que lhes foi deixado? Ainda existem garotos nessa rua?

Não sei ao certo se foi um cisco no olho ou uma emoção que veio desapercebida, mas senti lágrimas correndo pelo meu rosto. Será que a rua sentiu a minha falta quando eu fui embora? Será que eu agradeci por ter passado alí os melhores momentos da minha vida?

Será que ela sabe que foi decisiva na formação do meu caráter e que lhe devo tudo o que sou hoje?

Não, acho que não. Ela deve ter esperado eu e os meus amigos dia após dia, deve ter lutado contra os carros estacionados até que por fim vendo que não valia a pena se entregou e como companheira pela sua morte, foi também a casa do Português.

Fecho os olhos e com o balançar da cabeça assentindo o arrependimento olho pro chão e vejo o meu nome escrito no tampa de asfalto que cobre um bueiro.

Marcio

10/10/89

 

 Márcio Gomes Roberto

 

 



Escrito por Editores às 16h42
[ ] [ envie esta mensagem ]


MEDO E DELÍRIO SOBRE MIM MESMO(parte 2)

De saco cheio de tanto barulho em casa, vou dar uma volta.

Ouvir seus próprios pensamentos pode ser muito bom

Lembro sempre de algo que me incomoda ou me incomodou antes. Acabado gritando do nada. Sempre riu depois.

Volto para casa.

Diante de mim, papel, caneta e falta do que escrever.

Serei sincero, nunca pensei em escrever nada que não me agrada.

Se está uma merda, eu deleto!

O difícil é saber quando esta uma merda.

Um exemplo:

Escreva sobre algum momento de sua vida agora, e deixe guardado.

Mantenha um ritmo de escrever constantemente.

Procure aquela anotação que você depois de um mês.

Ira parece um vomito de tão honesto que saiu.

Pode tanto considera-lo um “lixo” quanto um belo manuscrito. Mas você sabe que aquilo é real.

Eu ate gosto do que leio (me refiro aos meus rabiscos).

Depois de um tempo não gosto mais deles.

Enfim, não escrevo nada que preste.

Tenho um caderno onde estão todos os desabafos, criticas ao sistema (ele me engoliu sim, mas posso causar indigestão nele), plágios, resumindo, um analfabeto metido a escritor.

Os momentos difíceis requerem paciência. Não tenho.

A terapia é escrever. Funciona? Não.

Qualquer coisa pode tirar minha vontade de escrever. Irei omitir isso é priva-los de tais absurdo.

Ao mundo sou um cara elétrico, sempre para cima, o cumulo da alegria.

 

Estou ouvindo alguém me mandar calar a boca. Ótimo.

Na real, não é muito fácil lutar diante de um adversário desconhecido, principalmente se for você mesmo. Pense sobre isso.

O dia que eu abrir a boca para um psicólogo (nunca fui em um, até tenho que é, mas o trabalho não se mistura com amizade, eu acho) ou ele ira me matar, ou ele se mata, ou escreve um livro.

Espero que ele se mate.

Que ótimo, já escrevi muito mais que no fim de semana.

Por isso já chega!

Quem ira ler isso, desculpe-me.

Quem não leu, que sorte a sua!

Algumas biografias acrescentarão na minha vida muitas coisas ( Osugi Sakae e Malcolm X foram os principais). Esse pequeno texto não ira acrescentar nada na vida de alguém.

Apenas ira perceber como sou diferente com um papel e caneta nas mãos. Ou o teclado e a tela do computador.

Obrigado pela atenção.

Foda-se o resto.

 

Participação especial: 

  TUFU'S (Vulgo Tucho)



Escrito por Editores às 19h34
[ ] [ envie esta mensagem ]


MEDO E DELÍRIO SOBRE MIM MESMO

 

-         Você esta muito abatido. Que houve?

-         Deixe-me em paz!

-         Com que esta bravo?

-         Interessa algo que eu falo?

-         Claro. Sou eu que te ouço todo dia. Diga.

-         Sinto que devo sempre me esconder do mundo. Que devo viver sozinho e sem ninguém.

-         Você ama as pessoas. Não vive um minuto sem falar com alguém. O telefone sempre te ajuda a te por em contato com humanos. Há há como quer viver sozinho?

-         Acho que é minha forma de fuga. Sei que ninguém gosta de pessoas que exageram não hora de falar, mas eu extrapolo.

-         Vai perder contato co todos?

-         Sim.

-         Quando isso ira ocorrer.

-         Não sei. Espero que seja em breve.

-         Você só fala merda.

-         Também acho.

-         Vou deixar você sozinho. Tchau Tucho.

-         Até mais Tucho.

 

Participação especial: 

  TUFU'S (Vulgo Tucho)

 

 

 

 

 



Escrito por Editores às 19h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


CONJECTURAS...

Fomos expulsos do paraíso, caímos. 

A nossa natureza é má. 

Dizem que fomos criados a imagem e semelhança de um ser superior.

Fatos que me remetem à uma reflexão pretenciosa: Deus é o Mal, Viva Satã!

Esse pensamento Baudelariano realmente cabe a contra cultura.

O que seria das sociedades se não houvesse a contra cultura? Pode parecer meio Taoísta(yin e yang), mas a contra cultura está aí. Herdeiros do movimento Hippie são os movimentos homossexuais, discussões sobre legalização de drogas e problemas ecológicos, e por que não dizer, a entrada de culturas orientais no ocidente.

 Beat ou Hippie? Revolta melancólica ou resistência "Paz e Amor"? 

Talvez soe romântico, mas como diz Adorno: "(...)os deserdados da cultura são os verdadeiros herdeiros da cultura".

Eu sou do contra.

BRUNO



Escrito por Editores às 16h58
[ ] [ envie esta mensagem ]


    Uma lágrima pela morte do ditador Fidel.

    O Fidel não morreu, mas vai. O que me faz pensar não é o fato de que Fidel Castro vai morrer, afinal, até mesmo ele um dia morrerá, o que me faz pensar é o que morre com a morte de Fidel. O que é que Cuba, ainda, representa? Talvez o último símbolo de uma resistência, de um mundo bi-polarizado, o último contraponto ao monopólio ideológico de um capitalismo neoliberal e pragmatista.

    Considero-me um alienado político, meus amigos me chamam de ingênuo. Confesso que quando Lula foi eleito, chorei. Não porque acreditasse que agora todos os nossos problemas estariam resolvidos, mas por tudo aquilo que sua eleição representava, pela primeira vez um líder de origemproletariada” democraticamente eleito chegava ao poder. Como não consigo me livrar desse meu romantismo babaca, ingênuo e juvenil me enchi de esperança e alegria.

    Lula não salvou o Brasil, o Fidel vai mesmo morrer, e agora acho que estou um pouco menos romântico.

    Por fim deixo uma pergunta, num mundo onde existe uma opção em que acreditar, onde os últimos ícones que representavam uma certaresistência” estão acabando, o que resta de referências para jovens sonhadores, ingênuos e babacas como eu?

 

Direto de Marte, Thiago Rodrigues

 



Escrito por Editores às 12h44
[ ] [ envie esta mensagem ]


Lembranças de lugar nenhum...

Hoje quero falar de coisas alegres, quero descrever aquela sensação que sentimos de alegria do nada, quando somos tomados por uma euforia sem explicação lógica.
Quero falar da sensação que sentimos indo á praia pela primeira vez (vocês ainda lembram?).
Hoje quero tentar reviver a sensação do telefonema tão aguardado depois de conhecer a garota que você pensa ser a da sua vida.
Hoje me nego a falar e escrever sobre o suicídio e sobre a morte.
Hoje quero fazer parte do povo onde me contento com tão pouco, onde sou feliz se o meu time ganhar, sou feliz se ela me ligar, sou feliz em todo o lugar.
Hoje não quero buscar respostas a perguntas que não existiram antes da Filosofia.
Hoje quero sentir o sabor dos labios no beijo da menina, de rever o meu amigo de tantos contos juntos e que a tempos não o vejo.
Hoje quero ser voto vencido para que a minha opinião não valha nada.
Hoje quero ser o rosto na multidão e não o centro da atenções*
Hoje quer me emocionar assistindo a um filme de comédia romántica.
Hoje não quero dormir cedo para poder me atrasar amanhã, quero gozar da Noite, á única testemunha dos meus feitos e das minhas tolices.
Hoje quero conversar com a Lua, perguntar a ela o que não encontro nos livros e nem na televisão.
Hoje quero sentir orgulho do meu corpo, do meu cabelo, da minha conta, da minha família e de existir.
Hoje quero acreditar em Deus e achar que podemos se entregar nas mãos dele quando estiver em difilculdades e que ele nos carregará.
Hoje quero evitar xingar, mal dizer, amaldiçoar, hoje quero pensar no final da novela das oito.
Quero agradecer por Nitzche, Schopenhauer, Cioran, Baudelaire e outros não serem os meus vizinhos.
Hoje quero ser fútil, me satisfazer com a etiqueta da minha calça, com a beleza dos meus olhos e com tudo mais que não faz sentido.
Hoje quero trocar O Abagnano* por um romance bem piegas.
Quero acreditar em finais felizes e pensar que se não forem felizes é por quê ainda não chegaram ao  fim.
Hoje eu simplesmente quero existir sem pensar no por quê.

 1º - * Maria Bethania

 2º - * Dicionário Filosófico

Márcio Gomes Roberto



Escrito por Redação às 19h22
[ ] [ envie esta mensagem ]


    "Diálogo sobre um diálogo"*

 

    ":Num bar um homem encostado ao balcão dizia que tinha uma mulher que o enganava, que ele estava muito sozinho e que estava em se matar. Um outro, que escutava, disse: olha, quando a pessoa fala tanto em suicídio, acaba não se matando. Suicidar-se é muito mais fácil. Então tirou o revolver e se deu um tiro.

    :Não sei se é verdade, mas acho que o homem do revolver tinha realmente que se suicidar.

    :Claro, se não se matasse, seria um palhaço." 

   _______________________________________________________________

     "O suicídio é o único problema filosófico realmente sério."

    ":Duas coisas me fazem hesitar, uma bem pequena; outra bem grande. Mas a pequena também é grande.

    :Qual é a pequena?

    :O sofrimento.

    :O sofrimento? Será tão importante? Será que há como matar sem sofrimento? E a segunda a razão, a maior?

    :O outro mundo. O outro mundo. O outro mundo!

    :Ou seja, o castigo.

    :Isso não importa. O outro mundo, apenas o outro mundo.

    :Será que há alguém que não pense no outro mundo?

    :Cada um só pode julgar por si mesmo. A liberdade só será total quando viver ou morrer for indiferente. Esse é o objetivo.

    :Estranho objetivo. Pode ser  que ninguém queira viver.

    :Ninguém. Qualquer um pode agir como se Deus não existisse... Como se nada existisse, mas ninguém jamais tentou.

    :Pelo contrário. Milhões foram mortos ou se mataram. 

     :Sim, mas sempre por outras razões, sempre com terror... jamais para matar o terror.

    :Você gosta de crianças?

    :Sim.

    :Conseqüentemente, gosta da vida!

    :Claro que gosto. Por quê?

    :Mas decidiu se matar.

    :Qual a relação? A vida é uma coisa, a morte é outra. A vida existe a morte não."

       _______________________________________________________________

    *Título de um texto de Borges. (Gostou, se vire)

    **In Diálogos: Borges / Sabato. Compilado por Orlando Barone; tradução Maria P. G. Ribeiro. São Paulo: Globo, 2005.

    ***In Nossa música, Godard.

Thiago Rodrigues, só citando(plagiando).



Escrito por Redação às 00h20
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil





BRASIL, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, Cinema e vídeo, Livros, Butecos de Esquina



Meu humor



Histórico
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/08/2006 a 31/08/2006
01/07/2006 a 31/07/2006




Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 DICA SEMANAL DO GIRINO PLATÃO:
 » O Banquete : Um Belo livro onde Platão relata os vários discursos sobre o amor (Heros) e mostra a analogia com a figura do filósofo, pede uma atenção especial no discurso de Sócrates. *****